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Porque as pessoas com demência lembram o passado, mas esquecem o presente?

Muitas famílias perguntam-se porque pessoas com demência lembram o passado mas esquecem o presente.

Este padrão não é aleatório — está ligado à forma como o cérebro armazena e perde memórias.

idosos a recordar memórias antigas através de fotografias

Introdução

Uma das situações que mais surpreende familiares e cuidadores acontece quando uma pessoa com demência fala com clareza sobre acontecimentos da infância ou da juventude, mas não se recorda do que aconteceu há poucas horas.

Esta realidade é comum em doenças como a doença de Alzheimer e levanta muitas perguntas:
Porque é que as memórias antigas permanecem enquanto as mais recentes desaparecem?

A resposta está relacionada com a forma como o cérebro armazena, organiza e recupera diferentes tipos de memória ao longo da vida.

O que acontece à memória na demência?

A demência afeta diferentes áreas do cérebro responsáveis pela memória, pela orientação e pelo processamento de informação.

Nas fases iniciais da doença, as regiões cerebrais que ajudam a formar novas memórias são frequentemente as primeiras a ser afetadas. Isso significa que a pessoa pode ter dificuldade em recordar acontecimentos recentes, conversas ou atividades do próprio dia.

No entanto, muitas das memórias mais antigas foram consolidadas ao longo de décadas. Essas memórias estão distribuídas por várias áreas do cérebro e tornam-se mais resistentes ao declínio cognitivo.

Por esse motivo, uma pessoa com demência pode recordar detalhes da juventude, do trabalho ou da infância, enquanto tem dificuldade em recordar acontecimentos recentes.

Porque as memórias antigas permanecem mais tempo

As memórias antigas tendem a permanecer porque foram reforçadas ao longo da vida através de repetição, emoção e significado pessoal.

Experiências marcantes, como momentos familiares, histórias da juventude ou locais importantes, são frequentemente acompanhadas por emoções intensas. Essas emoções ajudam o cérebro a consolidar a memória de forma mais profunda.

Mesmo quando a demência afeta a capacidade de formar novas memórias, muitas dessas lembranças antigas continuam acessíveis durante mais tempo.

É por isso que algumas pessoas com demência conseguem recordar com detalhe acontecimentos de décadas passadas.

O papel das emoções na memória

A memória não é apenas um processo cognitivo. Está profundamente ligada às emoções.

Mesmo quando a capacidade de recordar factos diminui, a resposta emocional pode permanecer ativa. Muitas pessoas com demência continuam a reagir a músicas familiares, paisagens conhecidas ou experiências que despertam emoções positivas.

Este fenómeno explica porque determinadas atividades podem estimular memórias antigas e promover momentos de ligação emocional.

Como estimular memórias positivas na demência

A estimulação de memórias antigas pode contribuir para o bem-estar emocional e para a sensação de identidade da pessoa.

Algumas estratégias incluem:

  • ouvir músicas associadas a momentos importantes da vida
  • ver fotografias antigas ou objetos familiares
  • conversar sobre histórias e experiências passadas
  • recriar ambientes ou paisagens que tenham significado emocional
  • utilizar experiências visuais e sensoriais que despertem recordações

Estas atividades ajudam a ativar memórias armazenadas e podem promover momentos de conexão, tranquilidade e reconhecimento.

A importância da estimulação emocional e sensorial

Mesmo quando a memória recente é afetada, o cérebro continua a responder a estímulos emocionais e sensoriais.

Experiências imersivas, paisagens naturais, sons familiares ou ambientes que evocam memórias podem estimular áreas do cérebro associadas à emoção e ao reconhecimento.

Por essa razão, abordagens que combinam estímulos visuais, auditivos e emocionais têm vindo a ganhar relevância na promoção do bem-estar de pessoas com demência.

Conclusão

O facto de muitas pessoas com demência lembrarem o passado, mas esquecerem o presente não significa que a memória tenha desaparecido por completo. Significa apenas que diferentes tipos de memória são afetados de forma distinta ao longo da progressão da doença.

As memórias antigas, especialmente aquelas associadas a emoções e experiências significativas, podem permanecer durante muito tempo.

Estimular essas memórias através de conversas, música, imagens ou experiências sensoriais pode ajudar a promover momentos de ligação, identidade e bem-estar emocional.

Porque, mesmo quando a memória muda, a capacidade de sentir e de se emocionar continua presente.

A estimulação emocional pode ajudar a promover bem-estar em pessoas com demência. Descubra também como a realidade virtual pode estimular memórias e emoções em idosos.

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